Enquanto isso, no Astro Rei…
21/04/2009 at 03:06 1 comentário
_Alô.
_Alô, quem ta falando?
_É Henrique.
_Colé sua bicha! A ligação ta uma bosta, onde é que você ta?
_No Sol.
_No Sol? Onde fica isso?
_Sei lá… no céu.
_O que é isso véi? Algum bar novo aí em Vila Velha?
_Não po, é o Sol. O Sol mesmo. Aquele amarelão que os planetas ficam orbitando em volta.
Fez-se então um silêncio desagradável. O amigo suspirou, meio que sem paciência e entediado, mas resolveu entrar no joguinho para não decepcionar Henrique.
_Sei… então você tá no Sol. – disse ele, com certa ironia em sua voz.
_Aham!!! – Henrique deu um salto de alegria, não esperava que fosse assim tão simples de explicar uma situação como essa.
_Ta, e o que você ta fazendo aí no Sol?
_Bicho… é uma longa história. Não vai dar tempo de contar tudo agora porque eu acho que os meus créditos tão acabando.
_Você ta ligando do celular?
_Isso.
_Seu celular pega no Sol?
_Pega! Eu também achei meio estranho quando reparei… mas aparentemente tem uma antena telefônica aqui perto.
_No Sol?
_É, eu sei que isso é bizarro… mas tem!
Então a ligação caiu. O amigo olhou para o telefone, soltou uma risada e voltou a fazer o que estava fazendo antes dessa ligação sem nexo. Cerca de 10 minutos se passaram e o telefone voltou a tocar. Hesitou ao atender, mas resolveu fazê-lo por pura curiosidade de entender aonde Henrique queria chegar. Dessa vez, a chamada era a cobrar:
_Alô?
_Henrique? O que houve? Acabaram os créditos?
_Não, não. Foi a bateria que acabou mesmo.
_A bateria? H’mmm… E de onde você ta ligando então?
_Do Sol.
Ele ficou mal-humorado. Essa brincadeira já estava dando no saco. Afinal, agora era ele quem estava pagando a ligação.
_Ta Henrique… Eu já entendi! Mas como é que você está ligando pra mim se a bateria do seu celular acabou?
_É que eu to no orelhão agora.
_Quer dizer que tem um orelhão aí no Sol? – disse ele, cobrindo seu tom de voz com quilos de ironia e impaciência.
_Pois é cara! Aonde já se viu? To até agora meio confuso com isso. Cheguei quase a perder as esperanças quando eu percebi que não tinha idéia de qual era o DDD da Terra, mas a telefonista foi muito simpática e…
_Porra véi, pára com essa bobeira e me diz logo o que você quer! Eu to pagando a ligação agora, caralho!
_Ta bom, ta bom… Foi mau cara. Eu pensei que você seria mais compreensivo e altruísta numa situação crítica como essa…
_Me fala logo o que você quer, porra!
_Po… É que eu não tenho a mínima idéia se um dia eu vou conseguir voltar praí… – disse Henrique, com certa tristeza e arrependimento em sua voz.
_E? – retrucou o amigo, de saco cheio.
_E aí que eu queria que você explicasse pros meus pais e pra Marianna que eu to no Sol, que to com muita saudade deles e que os amo muito!
_Ta bom… Legal. Vou fazer isso. Pra isso que você me ligou a cobrar?
_É… Foi pra isso.
_Por que você não ligou pra eles logo?
_Ah cara… Sei lá. Não to na vibe de ouvir chororô não. E eles vão querer que eu explique tudo, vão prometer pra mim que vão dar um jeito de me trazer de volta, vão dedicar a vida toda a isso… Acho que não vale a pena, saca? E aqui nem é tão ruim assim afinal. Pensei que fosse ser quente pra caralho, mas ta bem fresquinho até. Vai entender!
_Ta bom brother, agora vou desligar porque senão a conta vai vir muito alta e meu pai vai encher o saco.
_Boto fé. Brigadão mesmo cara! Eu te considero muito, viu?
_Ta bom, fuck you!
E desligou o telefone.
Henrique nunca mais foi visto e não deu mais notícias.
A conta telefônica do amigo veio com um valor milionário a ser pago por causa de uma ligação a cobrar misteriosa, vinda de algum lugar muito, mas muito longínquo.
Ele tentou explicar para todos que Henrique estava no Sol, usando a conta telefônica como evidência, mas todos o taxaram de louco e ele foi internado num hospício.
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1.
marianna | 21/04/2009 às 09:38
Ai namorado, que lindo! xD